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Que nossos sonhos sejam eternos enquanto nossas vivências são breve - Por Alison Vasconcelos.

Descobri através da dor, tanto externa quanto interna, que todos nós não temos mais nada a perder, aliás, nunca tivemos. Toda a vivência é uma soma de ganhos. No alto de um prédio, a luz trespassa entre as venezianas para iluminar precariamente a sala e o coração de um homem choroso e medroso, tal como uma criança que sua ambição maior é respirar alegremente.


O consultório é como um confessionário e eu sou o homem que tenho de me importar com a dor, logo eu tão insensível. A sala é obscura, meu coração também, colecionamos tristezas e alegrias, mas o que fere geralmente é sempre o mais lembrado. Coloquemos numa balança a penúria de nossas vivências afrontando todo o gozo de nossas felicidades, desequilibraremos a favor da desgraça sempre.

Tombemos e levantemos, lembre que o avião lança-se ao voo partindo do solo. Sem estratégia para ganhar e fazer, provavelmente seríamos muitos mais vitoriosos se não soubéssemos o que é futuro devido a que frequentemente esqueçamos do presente. Literalmente, é um presente estar no presente.

As ruas estão povoadas sobre o calor intrépido ou o inverno perverso, uma sociedade que vem e vai sem saber onde ir e que desconhece onde está. O asfalto quente queima as bases de nossos pés, o frio recai destruindo nossa imunidade; A vida dispõe de ambiguidade a todo momento, afinal o que seríamos de nós se ostentarmos somente a euforia e bem-estar? O que seria riqueza se todos nós fôssemos bilionários? O contraste transforma a solidão em amor, a ferida em cicatriz, a desgraça em beleza, o homem fraco em Narciso.

O suor e o sangue expurgados de meu corpo apaziguam meus temores contra esse demônios que fazem-me pensar em desistir infantilmente, dizendo que meus sonhos são torpes, malditos pesadelos de um homem solitários, mas que minha ambição seja eterna enquanto minha vivência é breve.