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Número de vítimas do massacre terrorista no Peru sobe para 16

Grupo comunista se inspira no regime chinês


Massacre ocorre 12 dias antes das eleições


O número de vítimas do massacre ocorrido na segunda-feira (24) no Peru, em plena campanha eleitoral, e que as Forças Armadas atribuem aos remanescentes do Sendero Luminoso (Partido Comunista do Peru) subiu para 16, uma versão que alguns sobreviventes do massacre não querem endossar.


As duas novas vítimas foram encontradas no local depois que um promotor antiterrorista revisou a área e ordenou a remoção dos restos mortais que ali se encontravam, detalhou o Comando Conj

unto das Forças Armadas, em um comunicado divulgado nesta terça-feira (25).

O massacre ocorreu na madrugada de segunda em um bar de um vilarejo do município de Vizcatán del Ene, localizado no coração do vale dos rios Apurimac, Ene e Mantaro (VRAEM), principal área de produção de cocaína do Peru e reduto dos remanescentes do Sendero Luminoso, que atuam como parceiros e guarda-costas do narcotráfico. Entre as vítimas estão o dono do bar e duas irmãs com suas respectivas filhas. As demais vítimas seriam supostamente clientes do estabelecimento que moravam na região.


As Forças Armadas estão certas de que o massacre se trata de uma “limpeza social” do Partido Comunista Militarizado do Peru (MPCP), nome pelo qual os remanescentes do Sendero Luminoso se autodenominam, já que encontraram no local dos assassinatos um panfleto deste grupo.


No folheto, essa organização afirma a necessidade de limpar o Peru de “bordéis, homossexuais, lésbicas, drogados e indisciplinados”.


No mesmo papel, também pedem que as pessoas não votem nas eleições peruanas programadas para o dia 6 de junho, quando será realizado o segundo turno presidencial entre os candidatos Pedro Castillo (de esquerda) e Keiko Fujimori (de direita), cujos eleitores foram chamados pelo grupo de “traidores”.


PELO MENOS TRÊS HOMENS ARMADOS


No entanto, as testemunhas e sobreviventes do massacre, entrevistados pelo portal Ojo Público, relutaram em afirmar que os autores foram os narcoterroristas.


Segundo os depoimentos, pelo menos três homens armados com rifles junto ao peito, à paisana e sem roupa militar ou de roupa preta (como as que costumam usar os integrantes do autodenominado MPCP), chegaram ao local e começaram a atirar.


O ataque abalou a campanha eleitoral polarizada do Peru entre Castillo e Fujimori, que condenaram o massacre e prometeram tomar medidas para acabar com o terrorismo, a violência e o tráfico de drogas no VRAEM..

Embora seja comum que os remanescentes do Sendero Luminoso cometam ataques às vésperas de cada eleição presidencial, seus alvos nos últimos tempos sempre foram os militares e a polícia, e não a população civil, como ocorreu desta vez.

O único atentado semelhante aconteceu em março, quando narcoterroristas massacraram quatro membros de uma família, em uma cidade na região sul de Ayacucho, presumivelmente por vingança pela morte do número dois da organização, Jorge Quispe Palomino, conhecido como Camarada Raúl, após um confronto com os militares.


CAMARADA JOSÉ: O MAIS PROCURADO


O autodenominado Partido Comunista Militarizado é liderado por Víctor Quispe Palomino, o Camarada José, o último sobrevivente dos três irmãos responsáveis por esta facção do Sendero Luminoso, financiada pelo narcotráfico.


Não se sabe exatamente quantos homens estão sob seu comando, embora os militares calculem que existam entre 100 e 200, com seu centro de operações em Vizcatán, um núcleo de selva montanhosa de difícil acesso, localizado no centro do VRAEM.


Do VRAEM, cujo território abrange parcialmente quatro regiões do sul do Peru, saem cerca de 70% das 411 toneladas de cocaína exportadas do país, sobretudo para os Estados Unidos, a Europa e o Brasil.


O VRAEM é a última fase ativa do sangrento conflito armado interno (1980-2000) desencadeado no Peru pelo Sendero Luminoso e pelo Movimento Revolucionário Túpac Amaru (MRTA), que causou cerca de 69 mil mortes, segundo o relatório final da Comissão da Verdade e Reconciliação (CVR).


Desde o final da década de 1990, quando toda a liderança do Sendero Luminoso foi presa, os irmãos Quispe Palomino assumiram a organização naquela área.


No entanto, o fundador do grupo, Abimael Guzmán, que está em prisão perpétua numa base naval, não os reconhece como tal e não segue as ordens do chamado “Presidente Gonzalo”.


Contudo, antes da prisão de Guzmán, em 1992, os dois irmãos participaram de vários atos criminosos do Sendero, em sua cruzada sangrenta para imitar a Guerra Popular da China e instalar um regime maoísta no Peru.

*EFE